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Valores, Motivação e Planejamento Terapêutico

Balança decisória e ambivalência

A balança decisória organiza prós e contras de mudar e de permanecer como está. É recurso da entrevista motivacional para trabalhar ambivalência sem empurrar o paciente para um lado.

Em resumo

  • O que é: quadro de quatro campos com ganhos e custos de mudar e de não mudar.
  • Para que serve: explicitar a ambivalência em vez de tratá-la como resistência.
  • Quando usar: quando o paciente está dividido, adiando uma decisão ou paralisado diante dela.
  • Base: balanço decisório da Entrevista Motivacional (Miller e Rollnick) e do modelo transteórico.

O que é balança decisória

A ferramenta parte de uma premissa que muda a postura clínica: ambivalência não é falta de vontade, é a condição normal de quem está diante de uma mudança relevante. Quem quer parar de beber também tem motivos para continuar bebendo, e ignorar esses motivos não os faz desaparecer.

Os quatro campos são os ganhos de mudar, os custos de mudar, os ganhos de permanecer como está e os custos de permanecer. Os dois campos mais reveladores costumam ser os menos explorados: o que a pessoa perde ao mudar, e o que ela ganha ao continuar igual. É aí que aparece a função do comportamento.

Há um cuidado importante e às vezes esquecido: os próprios autores da entrevista motivacional revisaram o uso da balança. Quando já existe direção definida para a mudança, pedir ao paciente que enumere os benefícios de continuar pode reforçar o discurso de manutenção. A ferramenta é para ambivalência genuína, não para todo caso.

Para que serve

Serve para dar espaço à parte que não quer mudar, o que paradoxalmente costuma soltar o processo, e para o terapeuta entender o que o comportamento atual está resolvendo na vida daquela pessoa.

Quando usar na clínica

Diante de decisões difíceis e de ambivalência real: uso de substâncias, término de relação, mudança de carreira, adesão a tratamento, início de exposição.

Evite quando o paciente já está decidido e engajado. Nesses casos a tarefa é planejar a ação, e revisitar os benefícios de não mudar pode enfraquecer o compromisso.

Indicação resumida

Diante de ambivalencia, quando o paciente esta dividido entre mudar e continuar, ou paralisado por uma decisao dificil.

Como aplicar, passo a passo

A condução é mais importante que o quadro. O terapeuta escuta, resume e devolve, sem defender a mudança.

  1. Nomeie a decisão com precisão. Uma decisão por vez, formulada como escolha concreta, não como tema amplo.
  2. Comece pelo lado que sustenta o presente. O que é bom em continuar como está e o que seria difícil ao mudar. Começar por aqui reduz a sensação de estar sendo empurrado.
  3. Explore o outro lado. O que melhoraria com a mudança e o que já custa continuar igual.
  4. Resuma com as palavras dele. Um resumo fiel, que inclua os dois lados, costuma produzir mais movimento do que qualquer argumento seu.
  5. Pergunte pelo próximo passo. Sem cobrar decisão. Uma pergunta aberta sobre o que ele pensa em fazer devolve a escolha a quem cabe.
  6. Registre e retome depois. A balança preenchida hoje é material para comparar quando a ambivalência mudar de posição.

Cuidados

Não transforme o quadro em placar. Contar itens de cada lado sugere que a decisão é aritmética, e ela raramente é.

Evite completar as respostas do paciente ou corrigir a lista dele. O reflexo de corrigir é o erro mais comum e o mais custoso aqui.

Base teórica

O balanço decisório integra a Entrevista Motivacional de William Miller e Stephen Rollnick, e dialoga com o modelo transteórico de mudança de Prochaska e DiClemente, que descreve estágios da pré-contemplação à manutenção.

A entrevista motivacional tem apoio empírico consistente, sobretudo em comportamentos de saúde e uso de substâncias. Sobre a balança especificamente, a literatura recomenda uso seletivo: em pessoas ambivalentes ela ajuda; em pessoas já inclinadas à mudança, pode ser contraproducente. Essa ressalva vem dos próprios autores e vale ser respeitada.

Referência da ferramenta

E o classico balanco decisorio da Entrevista Motivacional (Miller e Rollnick) e do modelo transteorico de mudanca (Prochaska e DiClemente). A EM tem forte apoio empirico para reduzir ambivalencia, sobretudo em comportamentos de saude e dependencia.

Balança decisória na plataforma Epicteto

A Balança Decisória do Epicteto monta os quatro campos na tela, permite pesar cada item e exporta o resultado em PDF.

Costuma ser usada com as Réguas da Prontidão, que medem importância e confiança, e com o Planejador de Metas, quando a decisão já virou plano.

A versão interativa desta técnica faz parte do acervo do Epicteto: 66 ferramentas clínicas, simulador com 27 casos e biblioteca com 27 títulos. Assinatura mensal de R$ 19,90.

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Perguntas frequentes

Balança decisória é lista de prós e contras?

É uma versão mais completa. A lista comum tem dois campos; a balança tem quatro, porque inclui os ganhos de não mudar e os custos de mudar, que são justamente os que sustentam o comportamento atual.

E se o lado de não mudar pesar mais?

É informação clínica valiosa, não fracasso. Costuma indicar que a mudança precisa ser redimensionada, que faltam recursos, ou que o momento não é esse. Forçar decisão nesse ponto tende a gerar abandono.

Serve para adolescentes?

Sim, e é bastante usada com eles, sobretudo em uso de substâncias e adesão. O cuidado maior é a postura: qualquer sinal de sermão desmonta o trabalho.

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Conteúdo psicoeducativo dirigido a psicólogos e estudantes de Psicologia. Não constitui diagnóstico, não substitui avaliação profissional, supervisão clínica ou psicoterapia, e a aplicação de qualquer técnica é responsabilidade do profissional que a conduz. Texto de Italo Cosme, psicólogo, CRP 02/29109.