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Avaliação Clínica e Conceitualização de Caso

Lista de problemas: do difuso ao foco

Muitos pacientes chegam sabendo que algo está mal e sem saber o que querem da terapia. O checklist percorre áreas da vida, mede a interferência de cada dificuldade e converte o item escolhido em objetivo observável.

Em resumo

  • O que é: varredura por áreas da vida com grau de interferência e escolha de um problema-alvo.
  • Para que serve: transformar queixa difusa em foco de trabalho e em objetivo verificável.
  • Quando usar: primeiras sessões, e no meio do processo quando o foco se perdeu.
  • Base: checklist de problemas de McKay, Davis e Fanning; lista de problemas da formulação (Persons); definição do problema na TRP.

O que é lista de problemas

A varredura cobre oito áreas: relacionamentos, família, trabalho ou estudo, saúde física, humor e emoções, hábitos e rotina, finanças, e sentido de vida. Em cada uma, o paciente marca as dificuldades presentes e o quanto elas interferem no dia a dia.

O que aparece com frequência é uma distribuição inesperada. A queixa trazida na porta nem sempre é a que concentra a maior carga, e ver isso num quadro costuma reorganizar a conversa. Também é comum o paciente perceber áreas que estão bem, o que sozinho já muda o tom da avaliação.

Escolhido o problema-alvo, ele é descrito em detalhe, com quem, o quê, onde, quando, como e por quê, e traduzido num objetivo observável. Sem essa tradução, a terapia começa sem saber onde quer chegar.

Para que serve

Serve para dar foco ao início do tratamento, para repactuar a demanda quando o processo se dispersa e para produzir, junto com o paciente, uma ordem de prioridade que ele reconhece como sua.

Quando usar na clínica

Nas primeiras sessões, sobretudo com quem chega sem saber o que quer da terapia, e no meio do processo, quando o foco se perdeu ou quando cada sessão vira um assunto novo.

Também é útil em atendimentos breves, em que definir alvo cedo é condição para chegar a algum lugar dentro do número de sessões disponível.

Indicação resumida

Nas primeiras sessões, com o paciente que chega sem saber o que quer da terapia, e no meio do processo, quando o foco se perdeu e a demanda precisa ser repactuada.

Como aplicar, passo a passo

Faça a varredura com o paciente, comentando o que aparece, e não como formulário para ele preencher sozinho.

  1. Percorra as oito áreas. Uma por vez, com exemplos concretos do que costuma aparecer em cada uma.
  2. Marque o grau de interferência. Quanto aquilo atrapalha a vida hoje, numa escala simples. Interferência importa mais que gravidade abstrata.
  3. Olhe a distribuição. Onde a carga se concentra, e se isso coincide com a queixa trazida na porta.
  4. Escolha o problema-alvo. Considerando prioridade do paciente, gravidade e efeito em cascata sobre os demais.
  5. Descreva em detalhe. Quem, o quê, onde, quando, como e por quê. É o nível de descrição que permite intervir.
  6. Escreva o objetivo observável. O que estaria diferente, de forma verificável, se esse problema melhorasse.

Cuidados

Não é instrumento psicométrico. Não gera escore normativo nem diagnóstico, e apresentá-lo como tal seria impreciso.

Cuidado com listas longas demais. Marcar quinze problemas sem priorizar aumenta a sensação de sobrecarga que muitas vezes é a própria queixa.

Base teórica

A ferramenta adapta o checklist de problemas de McKay, Davis e Fanning, a lista de problemas da formulação de caso de Jacqueline Persons, que a coloca como primeiro passo da conceitualização, e a etapa de definição do problema da Terapia de Resolução de Problemas de D'Zurilla e Nezu.

A definição precisa do problema tem apoio empírico como componente, sobretudo na literatura de resolução de problemas em depressão. Aqui, funciona como organizador clínico da avaliação inicial.

Referência da ferramenta

Adapta o checklist de problemas de McKay, Davis e Fanning (Thoughts and Feelings), a lista de problemas da formulação de caso (Persons) e a etapa de definição do problema da terapia de resolução de problemas (D'Zurilla e Nezu), que tem apoio de metanálises sobretudo na depressão. É organizador clínico, não instrumento psicométrico: não gera escore normativo nem diagnóstico.

Checklist de problemas na plataforma Epicteto

O Checklist de Problemas percorre as áreas na tela, mostra onde a carga se concentra e conduz a descrição detalhada do alvo até o objetivo observável, com PDF.

Emenda no Roteiro para Primeira Sessão, na Formulação de Caso e no Planejador de Metas.

A versão interativa desta técnica faz parte do acervo do Epicteto: 66 ferramentas clínicas, simulador com 27 casos e biblioteca com 27 títulos. Assinatura mensal de R$ 19,90.

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Perguntas frequentes

Isso substitui a anamnese?

Não. É um recorte transversal de dificuldades atuais e de sua interferência. A anamnese cobre história, desenvolvimento e contexto, que a lista não alcança.

E se o paciente marcar quase tudo?

É comum em quadros graves e em sobrecarga. Nesse caso o próprio volume é dado clínico, e o trabalho passa a ser priorizar: qual item, se melhorasse, aliviaria mais os outros.

Dá para reaplicar?

Sim, e é uma boa prática ao longo do tratamento. Comparar a distribuição inicial com a atual costuma mostrar progresso que o paciente não percebeu.

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Conteúdo psicoeducativo dirigido a psicólogos e estudantes de Psicologia. Não constitui diagnóstico, não substitui avaliação profissional, supervisão clínica ou psicoterapia, e a aplicação de qualquer técnica é responsabilidade do profissional que a conduz. Texto de Italo Cosme, psicólogo, CRP 02/29109.