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Mudança Comportamental e Exposição

Comportamentos de segurança na ansiedade

Comportamentos de segurança são ações discretas feitas para evitar a catástrofe temida sem sair da situação. Eles reduzem a ansiedade no momento e, ao fazer isso, impedem que a pessoa aprenda que estava segura de qualquer forma.

Em resumo

  • O que é: ações sutis de proteção mantidas durante o enfrentamento, como levar remédio, sentar perto da porta ou ensaiar frases.
  • Para que serve mapeá-los: eles explicam por que a exposição funciona na hora e não generaliza.
  • Quando usar: ansiedade social, pânico, agorafobia, ansiedade de saúde e TOC.
  • Base: Salkovskis (1999) e revisões de Helbig-Lang e Petermann e de Blakey e Abramowitz.

O que é comportamentos de segurança

Diferente da evitação, que é não ir, o comportamento de segurança é ir levando uma proteção. A pessoa comparece à reunião, mas senta perto da porta, segura a garrafa de água, ensaia cada frase, evita contato visual e sai antes do fim. Ela cumpriu a exposição no papel e não aprendeu o que precisava aprender.

O problema é de atribuição. Quando nada de terrível acontece, a explicação disponível não é "eu estava seguro", e sim "deu certo porque eu tomei o remédio, porque eu fiquei perto da saída, porque eu não olhei para ninguém". O crédito vai para a muleta, e o medo permanece intacto.

As categorias mais comuns são companhia e objetos protetores, rota de fuga garantida, recursos químicos usados como talismã, manobras mentais como distração, checagem e repetição interna, e reasseguramento buscado com outras pessoas ou na internet.

Para que serve

Mapear esses comportamentos serve para explicar por que um tratamento parece funcionar e não sustenta, e para planejar a retirada, que costuma ser o passo que destrava a generalização do aprendizado.

Quando usar na clínica

Em ansiedade social, pânico com agorafobia, ansiedade de saúde e TOC, e sempre que a exposição estiver acontecendo mas o ganho não estiver se mantendo entre contextos.

É útil também no início do plano de exposição, para que a hierarquia já nasça considerando o que precisa ser abandonado em cada degrau.

Indicação resumida

Ansiedade social, pânico, agorafobia e ansiedade de saúde; sobretudo quando a exposição funciona na hora mas não generaliza.

Como aplicar, passo a passo

Investigue com curiosidade e sem julgamento. O paciente costuma ter vergonha dessas manobras e omite as mais significativas se sentir avaliação.

  1. Faça o inventário. Passe pelas categorias e pergunte item a item. A lista pronta ajuda a lembrar do que ninguém relata espontaneamente.
  2. Descubra a função de cada item. Do que aquilo protege, na cabeça dele. É a previsão embutida que interessa.
  3. Ordene por dificuldade de largar. Algumas muletas saem fácil, outras são o núcleo do quadro.
  4. Planeje a retirada. Uma por vez, com o teste correspondente: o que ele espera que aconteça sem ela.
  5. Repita a exposição sem a muleta. É a repetição sem proteção que produz o aprendizado novo, não a presença na situação.
  6. Revise a atribuição. Pergunte a que ele atribui o resultado. Se ainda atribui a alguma proteção, ainda há muleta em uso.

Cuidados

Há nuance importante: uso criterioso e temporário de alguma proteção pode viabilizar o primeiro enfrentamento em pacientes muito evitativos. O que não pode faltar é o plano explícito de retirada.

Não confunda comportamento de segurança com precaução razoável. O critério é a função: proteger de uma catástrofe improvável, ou lidar com um risco real.

Base teórica

O conceito foi formulado por Paul Salkovskis, que descreveu como os comportamentos de segurança impedem a desconfirmação da crença catastrófica, mantendo o quadro mesmo diante da exposição.

Revisões posteriores, como as de Helbig-Lang e Petermann (2010) e de Blakey e Abramowitz (2016), sustentam que abandonar essas muletas potencializa o resultado da exposição, com a ressalva de que seu uso limitado e planejado no início pode aumentar a adesão sem prejudicar o desfecho, desde que a retirada aconteça.

Referência da ferramenta

Salkovskis (1999) e revisões de Helbig-Lang e Petermann (2010) e Blakey e Abramowitz (2016): abandonar comportamentos de segurança potencializa a exposição, com a nuance de que uso criterioso e temporário no início pode viabilizar o enfrentamento, desde que com plano de retirada.

Comportamentos de segurança na plataforma Epicteto

O Radar de Comportamentos de Segurança apresenta um inventário de 22 comportamentos comuns; cada item marcado abre a função e o plano de teste sem ele, com exportação em PDF.

Trabalha em conjunto com o Construtor de Hierarquias e o Registro de Exposição.

A versão interativa desta técnica faz parte do acervo do Epicteto: 66 ferramentas clínicas, simulador com 27 casos e biblioteca com 27 títulos. Assinatura mensal de R$ 19,90.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre evitação e comportamento de segurança?

Na evitação a pessoa não entra na situação. No comportamento de segurança ela entra, mas com uma proteção que impede o aprendizado. Por isso este último é mais difícil de detectar e costuma explicar tratamentos que emperram.

Levar remédio de resgate é comportamento de segurança?

Pode ser, quando funciona como talismã e é o que a pessoa credita pelo bom resultado. A conduta é conversada com o prescritor, e a retirada, quando indicada, é planejada em conjunto.

E se o paciente não conseguir largar?

Reduza o tamanho do passo: usar menos, por menos tempo, em situação mais fácil. A retirada também pode ser graduada, desde que seja explícita e tenha prazo.

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Conteúdo psicoeducativo dirigido a psicólogos e estudantes de Psicologia. Não constitui diagnóstico, não substitui avaliação profissional, supervisão clínica ou psicoterapia, e a aplicação de qualquer técnica é responsabilidade do profissional que a conduz. Texto de Italo Cosme, psicólogo, CRP 02/29109.