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Avaliação Clínica e Conceitualização de Caso

Modelo de manutenção: a flor viciosa

Modelo de manutenção é a formulação que mostra por que um problema continua vivo apesar de tudo o que a pessoa faz para resolvê-lo. Na flor viciosa, o medo central fica no miolo e cada pétala é um processo que o realimenta.

Em resumo

  • O que é: desenho circular com o medo ou crença central no centro e os processos de manutenção ao redor.
  • Para que serve: explicar a persistência do problema e escolher onde intervir primeiro.
  • Quando usar: na conceitualização de casos de ansiedade, TOC e ansiedade de saúde, entre outros.
  • Base: flor viciosa de Salkovskis, em diálogo com o modelo de cinco áreas de Greenberger e Padesky.

O que é modelo de manutenção

A premissa que organiza o modelo é simples e clinicamente poderosa: o que iniciou um problema raramente é o que o mantém. A origem pode estar num evento antigo, mas o que sustenta o quadro hoje são processos atuais, e são eles que a terapia pode alcançar.

No desenho, o miolo recebe o medo ou a interpretação central, escrita nas palavras do paciente. Cada pétala é um processo de manutenção: evitação, comportamentos de segurança, atenção seletiva e monitoramento, ruminação, reasseguramento, checagem, supressão de pensamentos. Cada pétala tem uma seta que volta ao centro, mostrando o caráter circular.

Ao lado de cada pétala vale registrar duas coisas: o alívio de curto prazo que aquele comportamento traz, que é o que o torna difícil de largar, e como ele realimenta o medo no longo prazo. É essa dupla que faz o paciente entender por que está preso mesmo se esforçando.

Para que serve

Serve para transformar queixa em formulação, para tirar o problema do registro de defeito pessoal e colocá-lo no registro de sistema com pontos de intervenção, e para justificar clinicamente as intervenções que virão.

Quando usar na clínica

Na conceitualização de casos de ansiedade, TOC, ansiedade de saúde, ansiedade social e pânico, e em qualquer quadro em que a pessoa tenta resolver e a tentativa é parte do problema.

É ótimo material de sessão compartilhada: desenhar junto costuma ser o momento em que o paciente entende o próprio funcionamento.

Indicação resumida

Na conceitualização de caso, para mostrar ao paciente por que o problema segue vivo apesar do que ele tenta, e para escolher em qual processo intervir primeiro.

Como aplicar, passo a passo

Desenhe com o paciente, sempre. A flor pronta explica; a flor construída junto convence.

  1. Encontre o medo central. Pergunte o que significaria, se o pior fosse verdade. Escreva com as palavras dele, no miolo.
  2. Levante os processos de manutenção. O que ele faz quando o medo aparece, incluindo o que faz por dentro, como ruminar ou vigiar sensações.
  3. Para cada pétala, registre o alívio. O que melhora no momento. Reconhecer isso valida a experiência e explica a persistência.
  4. Para cada pétala, registre o custo. Como aquilo alimenta o centro. É aqui que a circularidade fica visível.
  5. Olhe a flor inteira. Pergunte qual pétala, se reduzida primeiro, faria o ciclo perder mais força. A resposta do paciente costuma ser boa.
  6. Derive o plano. Cada pétala escolhida vira uma intervenção específica: exposição, prevenção de resposta, treino atencional, adiamento da preocupação.

Cuidados

Evite listar pétalas demais. Quatro a seis processos bem descritos rendem mais que uma flor cheia e ilegível.

Cuidado para o modelo não soar como acusação de que o paciente causa o próprio problema. A leitura correta é que ele está fazendo o que qualquer pessoa faria, e que o alívio cobra juros.

Base teórica

A flor viciosa é atribuída a Paul Salkovskis, no contexto do modelo cognitivo-comportamental de manutenção da ansiedade e do TOC, em que comportamentos de segurança e responsabilidade inflada ocupam papel central.

Dialoga com o modelo de cinco áreas de Greenberger e Padesky, que decompõe um momento em situação, pensamentos, emoções, sensações e comportamentos. Os dois se complementam: um descreve o instante, o outro descreve a manutenção ao longo do tempo. Como toda formulação, é hipótese de trabalho, testada pela resposta ao tratamento.

Referência da ferramenta

Flor viciosa de Salkovskis, em diálogo com o modelo de cinco áreas de Greenberger e Padesky: o que iniciou um problema raramente é o que o mantém, e formular os processos de manutenção orienta a escolha das intervenções.

Modelo de manutenção na plataforma Epicteto

A Flor da Manutenção monta o desenho na tela, com o medo central no miolo, uma pétala por processo e o registro de alívio e custo de cada uma, com exportação em PDF e imagem.

Conversa com a Análise em Rede, quando o caso pede um mapa mais amplo, e com o Ciclo da Evitação.

A versão interativa desta técnica faz parte do acervo do Epicteto: 66 ferramentas clínicas, simulador com 27 casos e biblioteca com 27 títulos. Assinatura mensal de R$ 19,90.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre modelo de manutenção e formulação de caso?

O modelo de manutenção é uma parte da formulação, focada no que sustenta o problema no presente. A formulação completa inclui também fatores predisponentes, precipitantes e protetores.

Serve para depressão?

A lógica circular serve, com outros processos nas pétalas: retraimento, ruminação, autocrítica, redução de atividade. Em depressão, muitos clínicos preferem o ciclo da ativação comportamental, que é mais direto para o plano.

Quantas pétalas usar?

Entre quatro e seis costuma ser o ponto de equilíbrio entre completude e legibilidade. O critério é a utilidade para escolher a intervenção.

Técnicas relacionadas

Formulação de casoA hipótese de trabalho que liga queixa, história e mecanismos ao plano. Ciclo da evitaçãoO desenho que mostra por que o alívio de hoje é o problema de amanhã. Comportamentos de segurançaAs muletas que fazem a exposição funcionar na hora e não generalizar depois.

Conteúdo psicoeducativo dirigido a psicólogos e estudantes de Psicologia. Não constitui diagnóstico, não substitui avaliação profissional, supervisão clínica ou psicoterapia, e a aplicação de qualquer técnica é responsabilidade do profissional que a conduz. Texto de Italo Cosme, psicólogo, CRP 02/29109.