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Avaliação Clínica e Conceitualização de Caso

Análise em rede na terapia baseada em processos

A análise em rede formula o caso como um sistema: cada processo vira um nó, classificado por dimensão psicológica, e as setas registram quem aumenta ou reduz o quê. O alvo do tratamento passa a ser escolhido pela posição na rede, e não pelo rótulo diagnóstico.

Em resumo

  • O que é: formulação idiográfica em rede, com processos como nós e influências como setas.
  • Para que serve: enxergar ciclos de manutenção e escolher alvos pela centralidade, não pelo diagnóstico.
  • Quando usar: casos complexos, comorbidade, e quando a lista de queixas não indica por onde começar.
  • Base: EEMM da terapia baseada em processos (Hayes, Hofmann e Ciarrochi) e análise em rede idiográfica.

O que é análise em rede

A terapia baseada em processos parte de uma crítica ao modelo de protocolos por diagnóstico: pacientes com o mesmo rótulo funcionam de modos diferentes, e o que a terapia muda são processos, não categorias. A pergunta deixa de ser qual protocolo aplicar e passa a ser quais processos, nesta pessoa, sustentam o sofrimento.

O EEMM, o meta-modelo estendido, organiza esses processos em seis dimensões psicológicas, afetiva, cognitiva, atencional, do self, motivacional e comportamental, mais dois níveis de contexto, biofisiológico e sociocultural. Cada dimensão pode ser lida em variação, seleção e retenção, o que dá à formulação um vocabulário evolucionário.

Na prática do desenho, cada processo identificado vira uma caixa classificada numa dimensão, e as setas registram influência: quem aumenta e quem reduz o quê, com que força e com que atraso no tempo. Lendo a rede, aparecem os ciclos que se retroalimentam, os processos mais centrais e as dimensões que ficaram vazias, que costumam indicar o que não foi avaliado.

Para que serve

Serve para casos complexos, com comorbidade e histórico de tratamentos parciais, em que a lista de queixas não diz por onde começar. Também serve como instrumento de revisão: a rede é redesenhada conforme informação nova aparece.

Quando usar na clínica

Na conceitualização de casos complexos, na supervisão, e sempre que o tratamento estagna e é preciso rever o alvo. Também é útil em ensino, porque força a explicitar hipóteses que costumam ficar implícitas.

Em casos simples e bem delimitados, uma formulação de manutenção mais enxuta costuma bastar e custa menos tempo.

Indicação resumida

Na conceitualização, quando a lista de queixas já existe mas falta entender o que sustenta o quê, e na hora de escolher o alvo pela posição na rede em vez de pelo rótulo diagnóstico. Serve também para revisar a formulação ao longo do tratamento, já que a rede é revisável a cada informação nova.

Como aplicar, passo a passo

Comece pelos processos que você já observou, sem tentar preencher todas as dimensões. Rede pequena e verdadeira vale mais que rede completa e especulativa.

  1. Liste os processos, não os sintomas. Em vez de "insônia", algo como "preocupação noturna com o desempenho", que já indica um processo cognitivo.
  2. Classifique cada um por dimensão. Afetivo, cognitivo, atencional, self, motivacional, comportamental, ou nos níveis de contexto.
  3. Desenhe as setas de influência. Quem aumenta quem, quem reduz quem. Marque a força e, quando fizer diferença, a defasagem no tempo.
  4. Procure os ciclos. Caminhos que voltam ao ponto de partida. São eles que explicam a persistência do quadro.
  5. Identifique os nós centrais. Processos com muitas conexões de saída são candidatos naturais a alvo inicial.
  6. Olhe as dimensões vazias. Uma dimensão sem nenhum processo costuma significar que você não perguntou sobre ela, e não que ela não importa.

Cuidados

A rede desenhada em consultório é hipótese clínica construída pelo profissional. Não é rede estimada estatisticamente a partir de avaliações repetidas, que é como a pesquisa da área produz as dela. Apresentá-la como resultado de análise de dados seria impreciso.

Cuidado com a complexidade decorativa. Rede com trinta nós impressiona e não orienta decisão.

Base teórica

O modelo é o Extended Evolutionary Meta-Model, proposto por Steven Hayes, Stefan Hofmann e Joseph Ciarrochi no âmbito da terapia baseada em processos, que busca reorganizar a intervenção em torno de processos de mudança em vez de protocolos por síndrome.

Soma-se a ele a tradição de análise em rede em psicopatologia, que representa transtornos como sistemas de sintomas que se influenciam mutuamente. É um campo jovem: a proposta é conceitualmente sólida e influente, e a base empírica de aplicação clínica individual ainda está em construção, o que recomenda usá-la como organizador de raciocínio.

Referência da ferramenta

Modelo Meta-Evolucionário Estendido (EEMM) da terapia baseada em processos, de Hayes, Hofmann e Ciarrochi (2020), e a tradição de análise em rede idiográfica em psicopatologia. A notação das setas (ponta cheia ou vazada, espessura, traço tracejado) segue a convenção das figuras publicadas nessa literatura. Honestidade: a rede desenhada aqui é hipótese clínica construída pelo profissional, não é rede estimada estatisticamente a partir de avaliação repetida, que é como a pesquisa da área produz as dela.

Análise em rede na plataforma Epicteto

A Análise em Rede do Epicteto monta o quadro na tela, com as seis dimensões do EEMM, os dois níveis de contexto e setas tipadas por força e direção, além de leitura automática de ciclos e nós centrais.

Complementa a Flor da Manutenção, que é mais simples e direta, e a Formulação de Caso.

A versão interativa desta técnica faz parte do acervo do Epicteto: 66 ferramentas clínicas, simulador com 27 casos e biblioteca com 27 títulos. Assinatura mensal de R$ 19,90.

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Perguntas frequentes

Isso substitui o diagnóstico?

Não. O diagnóstico segue tendo funções administrativas, de comunicação e de acesso a tratamento. A proposta é que ele não seja o único guia da escolha de intervenção, e que os processos ocupem esse lugar.

Preciso saber estatística de redes?

Não para o uso clínico descrito aqui, que é um desenho de hipóteses. A análise estatística de redes pertence ao campo da pesquisa e exige medidas repetidas e método próprio.

Quanto tempo leva para montar?

Uma primeira versão sai em vinte a trinta minutos com um caso conhecido. O ganho maior aparece na revisão, quando a rede é ajustada com o que o tratamento revelou.

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Conteúdo psicoeducativo dirigido a psicólogos e estudantes de Psicologia. Não constitui diagnóstico, não substitui avaliação profissional, supervisão clínica ou psicoterapia, e a aplicação de qualquer técnica é responsabilidade do profissional que a conduz. Texto de Italo Cosme, psicólogo, CRP 02/29109.